segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Tudo Começou...

Quando eu era criança meu maior prazer era defender meus amigos e irmã. Por muitas vezes em brincadeiras eu era mandona, um pouco autoritária. Me lembro bem de um fato engraçado, minha irmã estava no quintal com meus primos, um quintal grande e que não tinha piso, era todo de cimento. E tinha um canto que gostávamos de brincar de escolinha - um canto escondido, embaixo da escada, fresco e com sombra - Ela gostava de ser a professora e neste dia eu quis brincar, mas não queria ser aluna mas sim diretora. Quando entrei na brincadeira a primeira coisa que eu fiz foi demitir a professora, por óbvio minha irmã se irritou e quis me bater!!

Cresci e terminei o ensino médio já com a ideia na cabeça - serei advogada, ou melhor, juíza - 

Não é fácil fazer faculdade, seja qual for o curso. Mas resolvi escolher o curso mais longo e complicado.

Direito!

Primeiro semestre é tudo muito lindo, novidades, matérias que a princípio não eram ruins, professores sempre dispostos a nos ajudar.
Lembro de um professor em específico, dava aula de Ciências Política, um senhor de tamanho mediano, cabelos grisalhos, muitos pelos nos braços e que também eram brancos, costumávamos chamá-lo de "Yeti", claro quando ele não estava presente. Este professor me fez ver a história política do mundo com outros olhos, não sei dizer se muito bom ou muito ruim, mas meu conceito mudou de "quase nada" para um "alguma coisa".

Novas amizades é sempre bem divertido, mas quando não se está em uma sala em que 80% dos alunos tem mais de 35 anos. E eu com 18!
Ser chamada de novinha o tempo todo me irritava, mas passaram a me respeitar quando perceberam minha maturidade. Não sou de ficar me elogiando, mas tenho mente de uma pessoa de 40 anos, madura e com postura exemplar.
Fiz amizade que trago comigo até hoje - Thays Elaine - me ensinou que não se deve usar calça legging com blusa curta, realmente é ridículo, marca todas as curvas que não devemos sair mostrando por aí.

Tem a parte da admiração aos professores, "como cabe tudo isso na cabeça de alguém?!" "quero ser assim também" ou "nunca vou lembrar de tantas coisas".
Aula de linguagem jurídica (língua portuguesa), o que dizer?! quase peço para voltar ao ensino médio!! "como não lembro disso?!" "acho que não tive essa aula", eram estas e mais frases que passavam em minha mente. E sem deixar de falar que professor era muito elegante, sempre muito bem vestido, perfumado, cabelo com topete e sapatos bem clássicos (usava sem meias), estudou em Coimbra-Portugal, que de tanta leveza e postura me fez querer conhecer esta faculdade.

Ufa, passei o primeiro ano. E digo que eu era muito aplicada, notas acima de 8 com média 6 no curso.

Aaaaaaah, importante saber das dificuldades que um aluno passa.
Os livros de Direito são caros. E eu não trabalhava na época, imagina como iria ter os diversos livros que os professores pediam. Claro que os sebos salvam qualquer estudante, livros usados, mas em perfeito estado.
Porém, um brilhante aluno, no qual não me recordo o nome, indicou um site que tinha alguns livros da lista dos professores, estavam disponíveis para download, o famoso 4shared.
Mas como nem tudo são flores,..imprimir vários livros também custa caro e ter que encadernar piora a situação.
Se eu fosse usar o digital teria que ter um tablet ou notbook, o que estava fora de cogitação.

Vida difícil essa, achei que entrar na faculdade era apenas entrar na faculdade, se é que me entendem!

Sem deixar de mencionar a parte da alimentação, comer na faculdade é como se você tivesse que escolher entre viajar para Berlim ou para Milão, as duas opções são boas porém são caras! A saída era comer do lado de fora, mais opções e cabem no bolso de um estudante, ou seja, ir para Praia Grande mesmo.